Alta no preço dos livros impacta 22% dos brasileiros e atinge mais a baixa renda

A proposta do ministro da Economia, Paulo Guedes, de taxar os livros em 12% pode causar um grande impacto no acesso à leitura, segundo pesquisa

A proposta do ministro da Economia, Paulo Guedes, de taxar os livros em 12% pode causar um grande impacto no acesso à leitura pelos brasileiros. O preço influencia 22% dos leitores brasileiros na hora da compra e é o principal fator de influência para a escolha de um exemplar. O dado é de uma pesquisa realizada pelo Instituto Pró-Livro em parceria com o Itaú Cultural e aplicada pelo Ibope Inteligência.

Segundo o levantamento, cerca de 27 milhões de brasileiros nas classes C, D e E são consumidores de livros. Essas pessoas, que já são excluídas por sua situação social de vulnerabilidade, terão ainda mais dificuldade em fazer parte da população leitora.

O preço exerce peso maior nas classes mais vulneráveis: enquanto na classe A, o preço é fator de influência para 16% dos que já compraram um livro, na classe C, a proporção chega a 25%, e nas classes D e E, vai a 23%. A influência do preço é duas vezes maior para indivíduos com renda entre um e dois salários mínimos, em relação aos indivíduos com renda familiar entre cinco e dez salários mínimos.

Desde 2007, o indicador de leitura no Brasil se mantém estável. Somente metade da população é leitora. A medida do governo também ameaça a existência das livrarias físicas e das distribuidoras, que já sofrem. O faturamento do setor encolheu 20% entre 2006 e 2020, embora os preços dos livros se mantenham estáveis.

O Instituto Pró-Livro, constituído pela Associação Brasileira de Livros Escolares (Abrelivros), pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) e pelo Sindicato Nacional Editores de Livros (SNEL), entregou um manifesto em defesa dos livros à comissão avaliadora da proposta da reforma tributária.

Fonte: Valorinveste