“Estamos focados na retomada do crescimento da categoria” [de livros], diz diretora do Submarino

Anna Sotero concede entrevista ao PublishNews em que fala sobre nova fase do relacionamento da varejista com o mercado editorial. A entrevista pontua a entrada do Submarino na Lista dos Mais Vendidos do PublishNews.

Submarino busca se reaproximar do mercado de livros | © Bienal Internacional do Livro Rio

A partir desta sexta-feira (15), os números de vendas do Submarino.com.br passam a fazer parte da Lista dos Mais Vendidos do PublishNews. Com a parceria, a lista passa a ser composta por 18 varejistas que repassam seus números de vendas semanalmente. Esses números são compilados por nossa equipe e o resultado é a lista que veiculamos toda sexta-feira.

A novidade chega com uma nova fase para o Submarino. A empresa, que hoje faz parte da holding B2W Digital, começou no fim dos anos 1990 com a aquisição da Booknet, livraria pioneira no ambiente virtual brasileiro. O livro, portanto, está no DNA da empresa, mas essa história teve diversas fases ao longo desses 20 anos.

Por isso, entrevistamos Anna Sotero, diretora comercial da B2W. Na conversa, ela explica essa nova fase, fala dos planos e diz como a marca quer estar junto das editoras nesse momento de crise.

PublishNews – Um dos pilares da fundação da Submarino foi a Booknet, livraria pioneira no ambiente virtual no Brasil. Os livros, então, estão lá desde o começo. Hoje, qual a importância desse produto na estratégia da plataforma?

Anna Sotero – Os livros são uma das partes mais importantes da história e do DNA do Submarino, que é referência do e-commerce nesse segmento há 20 anos. Estamos investido na categoria: temos uma equipe focada em otimizar a experiência dos clientes que buscam por livros no site, o que trouxe melhorias como, por exemplo, permitir que as sinopses dos livros sejam visualizadas de forma mais simples e rápida nas páginas dos produtos. A marca também integrou sua plataforma de cadastro de livros com a Metabooks – plataforma de metadados com mais de 105 mil livros disponíveis. Com a parceria, o Submarino padronizou e complementou as informações sobre os livros disponíveis no site, além de ganhar competitividade no mercado com a otimização do tempo de cadastro das obras e o aumento da base de itens disponíveis para pré-venda.

PN – É sabido que o varejo de livros vive uma crise duríssima. Não bastassem os impactos da pandemia nos negócios, duas das principais redes estão em recuperação judicial, com sinais de que enfrentam grande dificuldade para cumprir os seus respectivos planos. Vocês enxergam nesse cenário uma oportunidade?

AS – Além das melhorias implementadas para a venda de livros no site, o Submarino também está cada vez mais presente no cenário literário. No ano passado, participamos dos principais eventos do setor, como a Bienal Internacional do Livro e a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), numa estratégia de nos aproximarmos do leitor também no mundo offline. Também passamos a oferecer ainda mais opções de frete, com a possibilidade do cliente retirar os livros comprados em uma loja física da Americanas próxima ao endereço de entrega informado. Todos esses investimentos estão sendo feitos porque acreditamos no mercado editorial e vemos oportunidades de crescimento, mas sabemos que esse crescimento só virá por meio de parcerias com as livrarias e editoras. Muitas delas vendem no marketplace do Submarino, então queremos que seus negócios tenham sucesso também. Temos, por exemplo, lojas oficiais de editoras – como Companhia das Letras, Rocco, Record e DarkSide – dentro do site, para que tenham mais visibilidade e se aproximem do cliente final. Entendemos que quanto maior é a concorrência, maior será a oferta e isso beneficia o cliente, que é o nosso foco.

PN – O histórico da varejista com as editoras já foi pontuado por diversas fases, algumas delas turbulentas. Em 2015, atrasos de pagamento levou uma fuga de editoras do catálogo de fornecedores do Submarino. Como está a relação com os editores agora, em 2020?

AS – Sabemos que o sucesso no mercado de livros só virá por meio de uma relação de parceria com as editoras. Esse é outro momento do Submarino e estamos focados na retomada do crescimento da categoria. Sabemos que o mercado editorial está em crise e oferecemos opções de negócio para todas as editoras, seja por meio da venda direta ou pelo marketplace. Nosso foco é gerar valor para a cadeia como um todo, garantindo parcerias saudáveis tanto para o Submarino quanto para as editoras. Para isso, precisamos estar muito próximos de todas elas. Nesse intuito, além de uma equipe comercial dedicada a categoria, criamos uma área de marketing exclusivamente focada em livros, que está em contato contínuo com os marketings das editoras para desenvolver estratégias e implementar ações conjuntas que fomentem ainda mais as vendas delas no nosso site.

PN – Esse passado ainda é, pelo que ouvimos de alguns editores, um repelente a novas parcerias. Como pretendem resolver isso?

AS – O caminho é estarmos cada vez mais próximos das editoras, conversando com elas para entender a realidade de cada uma. Estamos super dispostos a negociar e nos comprometemos a cumprir todos os acordos que fizermos.

PN – Qual o modelo de compra que o Submarino adota agora nessa nova fase? Compra firme? Consignação? Quais os critérios para a compra?

AS – O Submarino não trabalha com consignação. Buscamos sempre garantir um amplo catálogo de títulos, nos posicionando cada vez mais como um site especializado em livros onde o cliente pode encontrar todas as obras que procura, desde best-sellers a exemplares exclusivos. Também temos investido bastante em pré-vendas e lançamentos, pois ambos estão no core da marca e têm ótimo desempenho no site.

PN – Uma das grandes preocupações das editoras diante desse cenário é o capital de giro. Há chances de o Submarino fazer compra com pagamento antecipado?

AS – Os pagamentos são acertados com cada editora, de modo que o acordo seja bom para ambas as partes.

PN – Qual o perfil do livro mais vendedor na plataforma? Existe algum gênero ou categoria que tenha um desempenho melhor do que outras?

AS – Temos um catálogo diversificado de livros para que o cliente encontre no nosso site todos os títulos que procura, mas os livros em pré-venda e os lançamentos estão no DNA da marca. Em relação ao gênero com melhor desempenho, podemos destacar HQs, mangás e infantojuvenil (principalmente franquias do universo da fantasia, como Harry Potter, por exemplo).

PN – Alguns editores (e livreiros de lojas de tijolo e argamassa) questionam muito a guerra de preços no ambiente virtual. Como o Submarino se posiciona a respeito deste aspecto?

AS – O Submarino está junto às editoras para valorizar cada vez mais os livros e praticar preços que sejam sustentáveis para o mercado editorial. Claro que buscamos sempre oferecer um preço competitivo de mercado, mas que também nos permita manter a rentabilidade do negócio.

PN – A partir de agora, o Submarino passa a compor a Lista dos Mais Vendidos do PublishNews. Como vocês enxergam esse passo?

AS – Estamos muito felizes de fazer parte da lista! O PublishNews é referência no setor de livros no Brasil e esta parceria é muito importante para o Submarino, pois queremos estreitar cada vez mais os vínculos com o mercado editorial como um todo. Também acreditamos que nossos dados vão contribuir para uma informação ainda mais abrangente sobre o setor, o que vai beneficiar principalmente os leitores.

PN – Como o editor interessado em fechar parceria com o Submarino deve proceder?

AS – Queremos ser cada vez mais ativos no mercado editorial brasileiro e ajudar a fortalecê-lo, portanto quem tiver interesse pode entrar em contato com o nosso time pelo e-mail comercial.livros@b2wdigital.com. Com nossos investimentos na categoria de livros, somos uma excelente opção no mercado para quem quiser alavancar seus negócios.

Fonte: Publishnews